Maré de Agilidade, Fortaleza – 2010

Praia de Iracema por “deltafrut’s photostream”

Aconteceu no dia 13/11/10 o Maré de Agilidade em Fortaleza. A organização e o lugar foram ótimos, não ouvi reclamações sobre nada (nem wi-fi, coffee-break, etc), mais sobre isso ao final. Sobre as palestras ressalto que não quis fazer um resumo acurado, apenas ressaltar alguns pontos ou aquilo que achei interessante comentar sob meu ponto de vista. Nada comparado a estar presente.  

TDD & Design

Começando com Paulo Silveira (Caelum). Incrível o equilíbrio em relevância técnica, diversão (Código! Ritmo!) e clareza de ideias. O Paulo soube passar suas mensagens (duas palestras), sem se/nos perder em detalhes desnecessários. Anotações feitas durante sua apresentação sobre Test-Driven Development:

  • É melhor que objetos recebam suas dependências (IoC). Por isso é fácil singleton e métodos estáticos atrapalharem testes de unidade.
  • Ele prefere injetar dependências via construtores. Se forem muitos parâmetros pode-se passar um “Builder”.
  • Fazer testes antes ajuda a evitar código mais custoso para mudanças e que são trabalhosos de se testar (o que seria uma das causas para não o fazerem). Além de inibir também a prática de “chutar métodos”, ou seja, ficar imaginando métodos que podem nem ser utilizados no fim das contas.
  • Para ele, Implementação, Design e Arquitetura possuem importâncias parecidas.
  • Disse que enquanto a técnica de TDD pode ajudar a criar o design de classes, esta só irá ajudar a evoluir uma arquitetura, ou seja, ela ainda deve ser pensada a parte.

Bônus: No break deu uma dica que para equipes novas em testes de unidade ou TDD pode ser interessante começar a explicar a técnica sem o uso de frameworks (que viriam em um segundo momento). Slides: Não encontrado. Mas tem-se um gostinho na apresentação abaixo sobre Arquitetura e Design: http://www.slideshare.net/caelumdev/arquitetura-designq-con2010paulosilveiracaelum

Kanban & Scrum

Rodrigo Yoshima (Aspercom) passou suas experiências e ideias sobre como Kanban pode auxiliar em situações onde só a cartilha de Scrum não basta. Ele não é tão equilibrado quanto Silveira, o que é um dos seus pontos fortes! =P

Chicken Run: Dreamworks Pictures, AARDMAN production.

Gostei bastante de sua comparação de Scrum a um programa de dieta. É fácil quebrar um regime e voltar a velhos hábitos devido ao seu impacto emocional. De forma semelhante, Scrum traz mudanças sérias em papéis, fluxo de processos, exigência de cadência, etc. Feito de forma muito brusca pode fazer as pessoas voltarem ao que estavam acostumadas rapidamente, ou ainda, prejudicar o status quo e ferir os egos das hierarquias, a ponto de ao se verem deixados do lado de fora da “caixa” (referência ao timebox/sprint) criarem uma “Revolta das Galinhas”.

Vemos assim que tanto a gerência média quanto o “chão de fábrica” podem sabotar Scrum (suspeito que qualquer coisa). Além disso, situações onde há muitas dependências externas ou entre times, e/ou demandas não controláveis (que quebram seguidamente o Sprint) desafiam a cartilha do Scrum.

Daí entra Kanban que visa auxiliar na:

  • Visualização do fluxo de trabalho;
  • Limitação de trabalho em progresso (WIP);
  • Medição e gerenciamento do fluxo;

Isso ajuda, por exemplo, em dois pontos sensíveis:

  • Quando o time vê sua eficiência e/ou resultados finais impactados por fatores externos a ele, isso abala seu comprometimento em relação ao projeto.
  • Sem visibilidade do processo as únicas ferramentas da gerência média são o chicote e a “aporrinhação”.

Slides: Não encontrado. Mas tem um resumo em vídeo dele falando apenas sobre Kanban aqui: http://vimeo.com/12967031 Bônus: http://kanbansket.ch/ (Ferramenta para criação de Kanban online usada por ele durante apresentação)

HTTP & Otimização

Maurício Linhares fez uma palestra sobre otimização de Front end inspirada pelo humor e gírias locais (falou muito dos “machos” daqui =P). Impossível cochilar durante sua palestra seja pelas boas dicas, humor ou volume de voz! =P Pena eu ter visto a palestra no evento online “Labsconf” na semana anterior, embora essa versão tenha sido mais completa. Anotações:

  • Conheça bem as tecnologias que você usa. Se usamos a Web é bom conhecermos bem o protocolo HTTP. Grande parte das dicas deriva desse conhecimento.
  • Recomenda bastante o Nginx como Proxy-server. Principalmente por facilidade de uso e desempenho.

Suas dicas estão bem documentadas na apresentação. Slides: http://www.slideshare.net/mauricio.linhares/seu-site-voando

Liderança servidora & Coaching Ágil

Alexandre Magno não pode ir e Fabiano Milani assumiu seu lugar com outra palestra. Pena que a apresentação já tinha sido feita em um outro evento em que fui (Agile tour) com menos de um mês de diferença. Então não houve novidade para mim. Acho que a pressa prejudicou um pouco seu desempenho dessa vez. Mesmo assim, ele sempre consegue passar muita energia, emoção e crença no que faz. Acho ótima sua ênfase nas pessoas, principalmente quando diz que para ser um bom líder é preciso gostar delas. Anotações:

  • A administração no sentido clássico está morta. O comando e controle já era.
  • Um líder procura conhecer liderados, descobrir seus objetivos, sonhos. Procura dar oportunidades de trabalharem naquilo que sentem prazer.
  • O Scrum Master deveria ser um Líder servidor. Empenhado no crescimento das pessoas à sua volta, estimulando liderados a pensarem por si mesmos.
  • Somos bons ouvintes? Quantas vezes formulamos respostas antes mesmo das pessoas terminarem de falar?
  • Falou rapidamente de várias ferramentas de Coaching: Âncoras, Ganhos e perdas, SWOT, Roda comportamental, Modelo I.D.E.A.L., Valores, Crença limitante.
  • “Nada é tão inútil quanto fazer com grande eficiência algo que não deveria ser feito em primeiro lugar.” (Peter Drucker)
  • “Devemos permanecer unidos ou com certeza seremos enforcados separadamente.” (Benjamin Franklin)

Kanban & Visibilidade

Uma das apresentações mais esperadas por mim. Alisson Vale não decepcionou, usando a ferramenta Prezi e uma ênfase mais teórica (o que também curto) fez uma apresentação de alto nível, instigante e que passa um pouco aquela sensação de “wow” que atribuo por estar algo próximo do estado da arte do tema. Ele mostrou a ideia do “Kanban Multiverse” de Karl Scotland que pode ser melhor investigada visitando os slides em flash encontrados em: http://skillsmatter.com/podcast/agile-scrum/karl-scotland-on-a-kanban-multiverse Sugeriu que Kanban tem maior potencial para criar significados compartilhados e com isso auxiliar na elaboração conjunta de solução de problemas, justificando isso pelas ideias apresentadas por Tom Wujec na seguinte palestra em vídeo (exibida durante apresentação, legendas pt-br): http://www.ted.com/talks/…/tom_wujec_on_3_ways_the_brain_creates_meaning.html Em resumo, pode-se auxiliar o cérebro a criar significados:

  • Usando imagens para clarear ideias;
  • Interagindo com imagens e com isso criando engajamento;
  • Aumentando a memória com persistência e envolvimento visuais (cores, movimento, formas básicas, etc);

A visibilidade do Kanban ajuda todos a compartilharem um “modelo mental”, tirando de gavetas e cabeças o que se passa durante um processo de trabalho coletivo. Isso permite a um time ver como as coisas estão funcionando, auxiliando a colaboração, análise sistêmica e a contínua melhora do próprio processo. Foi perguntado ao final sobre o Kanban eletrônico, ele disse que acaba-se perdendo algo com ele (por exemplo, engajamento). Se for o caso de usá-lo, deve-se procurar perder o mínimo possível e antes dele usar por um tempo a versão física do Kanban, de forma a facilitar a criação da cultura. “Slides”: http://prezi.com/ubums2ymmtyb/kanban-expandido-usando-visibilidade-para-transformar-processos/

Deploy Contínuo

A segunda palestra do Paulo Silveira (Caelum) mostrou como evoluir de um deploy demorado, adiado, manual e cheio de problemas até um que seja rápido, frequente e automatizado, nos fornecendo mais confiança e menos preocupações sobre mudanças indo para a produção. Para conseguir essa situação confortável se faz necessário testes automatizados (de unidade, de integração, de aceite) e integração contínua. Tudo isso visando encontrar cedo problemas por meio de feedback rápido. Dicas:

  • Com o tempo e crescimento, testes de aceite podem apresentar alguns desafios de manutenção e demora. Sugere então que estes se atenham ao cerne do sistema.
  • Recomenda criar uma forma simples para que qualquer um possa, com apenas um clique, ter versões entregues para homologação e deploy.
  • Logo nos primeiros dias de um projeto construir automatização para o deploy de forma que esta solução evolua junto com o sistema.

Slides: Não encontrado. Mas tem esse vídeo do seu irmão falando sobre o tema com praticamente os mesmos slides: http://vimeo.com/12976766

Agilidade & Empresa

Bruno Pedroso e Renato Willi (ambos SEA Tecnologia)  mostraram um relatório com resultados do contágio interno de princípios usados primeiramente em projetos (com métodos ágeis) para outras áreas/setores da empresa SEA. Os princípios são: Comunicação, Liberdade, Respeito, Confiança, Participação, Aperfeiçoamento contínuo, iniciativa, auto-organização, “Give give give” e Meritocracia. Esses princípios foram então usados para repensar a forma de se trabalhar o RH (Relações humanas), em suas atividades de Seleção, Formação e Avaliações, assim como o Marketing e a Gestão. Simplificando enormemente, traduziram em ações esses princípios por meio de dinâmicas que envolvem a participação mais democrática das pessoas, buscando-se atingir consensos coletivos (Por exemplo, usando “World Café”). Além de incentivar elas a compartilharem e construírem conhecimentos em conjunto não só entre os membros da própria empresa, mas também com a comunidade a sua volta (Por exemplo, por meio de Dojos, Workshops, etc). Em sua maioria os resultados apresentados quanto aos aspectos negativos apontaram para o aumento de custos, tempo e esforços, além de enfrentarem às vezes a falta de auto-motivação e iniciativa de membros. E quanto aos aspectos positivos apontam geralmente para maior aprendizado, melhor entrosamento de membros, melhoria em motivação e consciência de auto-responsabilidade. Acho muito interessante e precioso o que estão fazendo, gostaria que alguém aplicasse métodos de pesquisa sobre o porquê das coisas ocorrerem como apresentado, criando hipóteses sobre como melhorá-las e experiências para validá-las… Um Drucker lá seria ótimo! Slides: http://www.slideshare.net/seatecnologia/agilidade-dos-projetos-empresa-uma-histria-de-intracontgio Bônus: Durante a apresentação lembrei do conceito de Adhocracia, o oposto de burocracia (Google it).

Agile & Open Source

Relato da experiência da evolução do framework Demoiselle por Serge Rehem. Bacana ver os obstáculos e soluções encontradas na construção coletiva à distância. Só foi meio cansativo ver o que pareceu ser o histórico das retrospectivas em frente ao “burn down” de cada release do framework. Mas também, eu já estava meio cansado de só ver palestras… Slides: http://www.slideshare.net/serge_rehem/agile-open-source-a-experincia-do-framework-demoiselle

Sem mesa, mas redondo

Sorte que em seguida ocorreu o que para mim foi o ponto alto do evento. Ao invés da “Mesa redonda” programada, Bruno Pedroso (SEA) sugeriu um outro formato de conversa, o “Fishbowl Conversation”. Basicamente as pessoas se organizam em um círculo grande e um menor dentro deste, onde uma pequena quantidade de pessoas possa manter uma conversa sem muita desorganização e os de fora possam acompanhá-la. Neste círculo menor há um lugar vazio que poderá ser ocupado por qualquer um do círculo maior que deseje participar da conversa, quando isso ocorre alguém do círculo menor deve sair de forma a sempre manter um lugar disponível. Foi uma experiência excelente. Curioso que mais cedo cheguei a conversar com o Barroso (Por sinal, parabéns pela organização)  justamente sobre a possibilidade de usarem esse tipo de modelo mais participativo nos eventos. Não bastasse a atração do formato em si, o conteúdo do que foi conversado também foi bem bacana. Tanto que espero (sentado) fazer um post exclusivo sobre. Dentre os tópicos abordados ou questões despertadas em mim (versões minhas):

  • Scrum: Influenciado pelo Lean?
  • Scrum Alliance: Benéfica? Necessária? Inevitável?
  • “Metodologia open source” vs. “Comitê da Verdade Certificada”
  • Quem é o Inimigo? Comando e Controle! (by Alisson Vale)
  • A paixão matou RUP?
  • Mercado e Academia, Academia vs. Mercado.

Encerramento

Acho que pelo menos para mim posso fazer a seguinte retrospectiva. O que foi bem:

  • Palestrantes e temas
  • Organização
  • Dinâmica final
  • Networking

O que poderia melhorar:

  • Preço (Maré de Agilidade em frente ao mar, legal, mas…)
  • Concorrência com feriadão
  • Ineditismo de palestras (2 reprises pra mim!)
  • Trilhas com diversidade de temas/níveis (Ou talvez uso de abordagens mais participativas)

Sobre esses últimos itens acredito ser importante uma análise de retrospecto do que já se falou em eventos locais e uma pesquisa com questionários prévios visando criar uma boa programação. Por sinal, seria bacana uma pesquisa de feedback/retrospectiva sobre o evento, não? Porque não aplicar Scrum/Lean na própria organização dos eventos? Por falar nisso, pelo menos pra mim, o formato de apenas palestras grandes está meio desgastado, felizmente tivemos uma inesperada e boa surpresa ao final. Acho que vale a pena experimentar mesclar o modelo baseado em palestras grandes com o mais participativo (Lightning Talks, Sessões de World Café, Coding Dojos, Design Dojo, etc), permitindo uma espécie de auto-organização do evento, quem sabe facilitando atender tantos gostos e níveis diferentes (Além de incentivar a superação de barreiras como a timidez do público da área). Co-criação pessoal! É isso, obrigado a todos que participaram e tornaram o evento possível.

Fotos

http://picasaweb.google.com/cmilfont/Maredeagilidade2010fortalsabado# http://picasaweb.google.com/handersonbf/MareDeAgilidade2010SabadoFortaleza# http://www.facebook.com/album.php?aid=13278&id=100001667503379

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Maré de Agilidade, Fortaleza – 2010

4 comentários sobre “Maré de Agilidade, Fortaleza – 2010

    1. Daniel Witaro disse:

      Grande Yoshima, obrigado pelo comentário! Suas apresentações “polêmicas” (esse tempero a mais faz a diferença – olha o desequilíbrio aí!) ajudam tanto na reflexão quanto na ação. E o bacana é que você parece estar se divertindo conosco! =)

    1. Daniel Witaro disse:

      Nobre Milfont, assim você me deixa emocionado, mah! Agradeço bastante mesmo e fico feliz em contribuir de alguma maneira. Forte abraço!

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